terça-feira, 29 de junho de 2010

" Hoje é um daqueles dias... Um daqueles dias... em que me obriguei a mim mesma a sair da cama.
Um daqueles dias em que me arrasto sem sentido de um lado para o outro. O corpo parece-me velho e cansado e nada tem sentido ou significado!
A tristeza é mais profunda que a dor, posso mesmo dizer, que hoje, a tristeza dói mais que a própria dor!
Sinto-me num labirinto. Alguém me colocou aqui e por mais voltas que dê não consigo encontrar a saída.
Não, não é um sonho. É mesmo a minha vida...

Não gosto de estar onde estou, mas também não saberia dizer onde gostaria de estar.
Não gosto do que faço, procuro algo que ninguém me dá, ninguém me permite ser quem realmente sou.
Arrasto os pés, ouço o som de um ser desanimado... passos arrastados, prolongados, um pé a pedir licença ao outro para avançar.

Se tivesse que escolher uma máscara seria a de palhaço triste. Assenta-me que nem uma luva. É aquilo que sou, um palhaço que tenta fazer os outros alegres, mas que no fundo é um poço de tristeza e sofrimento.
Tudo o que tenho feito ao longo da vida, tenho o feito para alegrar alguém, para fazer feliz os outros...
Faço as coisas a pensar na felicidade dos que amo, porque não os quero desiludir...
Tenho medo de voar.
Tenho medo de cortar o cordão umbilical, dar um murro na mesa e dizer basta!
Queria muito fazê-lo, mas não consigo!
Como poderia depois viver com o olhar triste e de desapontamento daqueles que me amam? Como poderia viver sabendo que sou a sua maior desilusão?
Tantos sonhos que carrego nas costas e nenhum é meu! Nenhum! Os meus esqueci-me deles. Enterrei-os vivos para não me recordar deles. Sou aquilo que sou... Humana... Humana e falível . Hoje não é um bom dia para sair à rua. Posso cometer um deslize e dizer o que realmente penso e ninguém me iria entender...
Por quanto tempo irei ainda fingir que tudo está bem?

Sou uma casa à beira da ruína e ninguém consegue ver isso.
Não olham para além da fachada! Os pilares estão corroídos pelo tempo, as fundações estão cheias de ferrugem...
o tempo passou e ninguém se dignou a olhar-me nos olhos e a perguntar... "és feliz?"; "é isto que realmente queres?
Não, não sou feliz. Não, não é isto que realmente quero. Mas talvez seja tarde de mais... talvez já não haja mais nada a fazer. Pelas minhas contas estou a metade da vida, isto se nada acontecer e o ciclo natural da vida for seguido.
Será que ainda vou a tempo de mudar?
Será que tenho coragem de virar a mesa e tentar ser feliz?
Vivi para os outros, quando começarei a viver para mim mesma?
Hoje é um daqueles dias... em que a tristeza dói e mói... em que o pensamento é negro e não há luz ao fundo do túnel.

Hoje é um daqueles dias em que viver cansa.
Em que respirar magoa.
Em que andar custa.
Em que falar é um sacrifício.
Em que abrir os olhos e ver realmente é uma dor terrível na alma...
Hoje é um daqueles dias em que estou triste com razão, em que a esperança parece ter morrido e em que nada faz sentido....

Hoje é um daqueles dias em que não queria viver..."